segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O silêncio e a vírgula


está tudo à mão
tão perto quanto o calor
do teu hálito
tão fácil de ser tragado
num suspiro frágil
do teu amor tão refém
do meu amor
muito mais além

por que é o impossível
que tanto atrai?
é só um ímã de contradições
se o ser feliz
é o encontro do silêncio e da vírgula
do abrigo com a chuva
o resto é desengano
palpitações que na janela ficam

sorte de quem vê o perto
de longe
de quem tem a sabedoria
de olhar sem passar pelos olhos
de deixar falar
o que em palavras não se diz
o que de dentro parece vir
mas que de fato atravessou os mundos